Após 10 anos de espera, a família da adolescente Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, assassinada em 2016, em Rio do Sul, finalmente alcançou a justiça. O julgamento do principal réu acusado da morte da jovem ocorreu entre terça-feira (12) e a madrugada desta quarta-feira (13), no Tribunal do Júri da Capital, em Florianópolis.
Em uma sessão que durou cerca de 16 horas, o homem de 58 anos foi condenado a 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
Vestindo camisetas com a frase “Justiça por Ana Beatriz Schelter”, familiares e amigos acompanharam a decisão no plenário. O julgamento foi transferido de Rio do Sul para Florianópolis após pedido da defesa.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o réu foi condenado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual. Ele não poderá recorrer em liberdade.
Julgamento durou 16 horas
O júri popular começou na manhã de terça-feira (12) e terminou já durante a madrugada desta quarta-feira (13). O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pelo MPSC.
Durante o julgamento, os promotores Lanna Gabriela Bruning Simoni e Jonnathan Augustus Kuhnen apresentaram provas técnicas e detalhes da investigação que apontaram o homem como principal autor do crime.
Segundo o MPSC, o réu foi condenado por:
estupro de vulnerável em concurso de pessoas;
homicídio qualificado por asfixia;
feminicídio agravado pelo fato da vítima ter menos de 14 anos;
fraude processual por alteração da cena do crime.
A promotora Lanna Gabriela Bruning Simoni classificou o caso como um dos mais chocantes que já acompanhou.
Já o promotor Jonnathan Augustus Kuhnen destacou o impacto do crime na família.
Ao fim do julgamento, Ismael Schelter, pai da adolescente, agradeceu aos promotores e afirmou que a justiça foi feita.
Família acompanhou julgamento
Pais, familiares e amigos da adolescente permaneceram durante todo o julgamento no Fórum de Florianópolis.
Com camisetas estampadas com a foto de Ana Beatriz, eles acompanharam atentamente os depoimentos e a leitura da sentença.
Três testemunhas foram ouvidas durante o júri:
um policial militar que participou das investigações;
o dono da empresa do contêiner onde o corpo foi encontrado;
a ex-esposa do réu.
O depoimento do policial, que atuou no GAECO durante as investigações, durou mais de cinco horas.
Ana Beatriz: estuprada e assassinada
Ana Beatriz Schelter tinha apenas 12 anos quando desapareceu em Rio do Sul, no Vale do Itajaí.
Na tarde de 2 de março de 2016, a adolescente saiu de casa para ir ao Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, onde estudava no 7º ano. Ela nunca chegou à escola.
O desaparecimento foi registrado pelo pai ainda naquela noite.
Na manhã seguinte, o corpo da menina foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470.
Inicialmente, a cena indicava um possível suicídio, mas a perícia descartou a hipótese. O exame confirmou que Ana Beatriz havia sido vítima de violência sexual e morreu por asfixia.
Segundo as investigações, o principal réu conhecia a família da adolescente e monitorava a rotina da vítima.
O MPSC apontou ainda que ele e outro denunciado ofereceram carona para Ana Beatriz no trajeto até a escola. Depois disso, a adolescente foi levada para um local não identificado, onde o crime aconteceu.
Outros dois homens também foram denunciados no caso e devem ser julgados no dia 25 de junho de 2026, em Florianópolis.
Informações SCC
Publicação Joraci de Lima


